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Fantasia e Ficção Científica

Como criar o hábito de ler Fantasia e Ficção Científica

Quantas vezes já olhou para as prateleiras de ficção especulativa na livraria e sentiu um misto de curiosidade e hesitação? Para quem está mais habituado a romances contemporâneos ou a policiais, dar o salto para a Fantasia e a Ficção Científica (conhecidas pela sigla inglesa SFF) pode parecer um...

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Fantasia e Ficção Científica
Como criar o hábito de ler Fantasia e Ficção Científica

Quantas vezes já olhou para as prateleiras de ficção especulativa na livraria e sentiu um misto de curiosidade e hesitação? Para quem está mais habituado a romances contemporâneos ou a policiais, dar o salto para a Fantasia e a Ficção Científica (conhecidas pela sigla inglesa SFF) pode parecer uma tarefa hercúlea. Afinal, estamos a falar de mundos inteiros construídos de raiz, com as suas próprias regras, geografias e, por vezes, até línguas criadas.

No entanto, desengane-se quem pensa que estes géneros são apenas sobre dragões e naves espaciais para um público mais jovem. A verdade é que a literatura de imaginação oferece algumas das reflexões mais profundas sobre a nossa própria condição humana, a sociedade e a tecnologia. Se quer começar a desbravar estes caminhos, mas não sabe por onde começar, temos algumas dicas práticas para o ajudar a criar este hábito tão enriquecedor.

O primeiro segredo para não se deixar intimidar é começar com livros de volume único ou narrativas mais contidas. Entrar de cabeça numa saga de dez volumes, com mil páginas cada, é o caminho mais rápido para a saturação e o abandono da leitura. Em vez disso, procure histórias que apresentem o género de forma suave e concentrada.

Uma excelente porta de entrada é *O Hobbit*, de J.R.R. Tolkien. Trata-se de uma leitura leve, mágica e incrivelmente fluida, ideal para quem quer experimentar a alta fantasia sem a densidade de outras obras mais complexas do autor. Com uma escrita calorosa, o leitor é transportado para a Terra Média ao ritmo de uma boa chávena de chá, numa aventura clássica que aquece o coração.

Outra excelente estratégia é associar estes géneros aos temas que já costuma ler em ficção realista. Sabia que a Fantasia e a Ficção Científica são, na verdade, grandes "chapéus-de-chuva" que abrigam dezenas de subgêneros diferentes? Se gosta de intriga política e dinâmicas de poder, por exemplo, não precisa de ler fantasia medieval tradicional para ficar fascinado.

É aqui que entra uma obra-prima como *Duna*, de Frank Herbert. Este clássico incontornável da ficção científica foca-se na política, na religião, no misticismo e na ecologia de um planeta desértico, assemelhando-se muito a um drama histórico de proporções épicas. Ao escolher uma temática com a qual já se identifica na literatura dita "geral", a transição para estes novos universos torna-se muito mais simples e apelativa.

Criar o hábito de ler requer consistência, mas não precisa de ser uma obrigação penosa. O segredo está em associar a leitura a momentos de prazer do seu dia a dia. Que tal aproveitar aquela viagem diária de metro ou de comboio para o trabalho, ou os vinte minutos ao fim de semana com uma bica e uma torrada na esplanada?

Comprometa-se a ler apenas dez páginas por dia. Parece pouco, mas ao fim de um mês terá lido trezentas páginas — o equivalente a um livro inteiro. Se o fizer antes de dormir, trocando o ecrã do telemóvel pelas páginas de um livro, vai notar que não só lê mais, como também dorme muito melhor.

Se prefere histórias mais focadas na psicologia, na ética e no impacto da tecnologia na sociedade, a ficção científica de cariz mais filosófico e distópico é o seu caminho ideal. Estes livros funcionam frequentemente como espelhos que nos obrigam a olhar para as nossas próprias falhas e virtudes enquanto civilização.

Experimente ler *Fahrenheit 451*, de Ray Bradbury. Esta distopia curta e extremamente impactante retrata uma sociedade onde os livros são proibidos e os bombeiros têm a missão de os queimar. É uma narrativa que se lê num fôlego e que, além de prender a atenção do início ao fim, nos deixa a refletir durante semanas sobre a importância da cultura e da liberdade de pensamento.

Como vê, entrar no mundo da Fantasia e da Ficção Científica não exige que seja um especialista em física quântica ou em mitologia nórdica. Exige apenas curiosidade e abertura de espírito para se deixar encantar pelo desconhecido.

Na próxima vez que entrar numa livraria ou na biblioteca municipal do seu bairro, passe pela secção de ficção especulativa sem pressas. Escolha uma capa que lhe chame a atenção, leia a sinopse com atenção e dê uma oportunidade à sua imaginação. Afinal de contas, a rotina diária já é suficientemente real; de vez em quando, todos precisamos de uma viagem até às estrelas ou a reinos distantes.